domingo, 30 de setembro de 2018

Banda Devassa - "Marina Julia" - Praça Marechal Mauricio Cardoso. Vídeo ...

Banda Devassa - Rio de Janeiro. (Cultura, Esporte e Lazer).


A POLÍTICA E A CULTURA DO CORONELISMO.

O Coronelismo foi um sistema de poder político que vicejou na época da "República Velha" (1889-1930), caracterizado pelo enorme poder concentrado em mãos de um poderoso local. Ele não só marcou a vida política e eleitoral do Brasil de então como fez por contribuir para a formação de um clima muito próprio, cultural, musical e literário que fez da sua figura um participante ativo do imaginário simbólico nacional.

Identificado com o Brasil do passado, agrário, rústico e arcaico, ele ainda sobrevive em certas comarcas e em certos estados do Nordeste brasileiro como o poderoso “mandão local”, uma espécie de velho barão feudal que, desconsiderando as razões do tempo e da época, insiste em manter-se vivo e atuante.

O título de "coronel" remonta à criação da Guarda Nacional, em 1831, pelo governo imperial, em substituição às milícias e ordenanças, com a finalidade de defender a constituição e a integridade do império. Como seus quadros eram nomeados pelo governo central ou pelos presidentes de província, o tráfico de influências e a corrupção política logo dominaram o sistema.

A "patente de coronel" tornou-se equivalente a um título nobiliárquico, concedida de preferência aos senhores de terras, que assim adquiriam autoridade para impor a ordem sobre o povo e os escravos. Sem vigilância direta, perdido nas distâncias e defendido por um partido nos excessos que cometesse, o coronel personificou a invasão particular da autoridade pública, favorecido pelo sistema que o nomeava e sustentava.

Opor-se ao governo do estado, exceto no caso de municípios mais ricos, implicava sérias privações para o chefe municipal e seus seguidores. A vitória eleitoral do coronel de oposição foi sempre fato raro, pois a "máquina" do governo na política, no fisco, na justiça e na administração trabalhava contra ele. Se eleito, precisava de recursos que dificilmente viriam sem concessões de sua parte. Além disso, o governo podia seduzir os chefes da oposição, sempre que se mostrassem mais eficazes que seus correligionários na arregimentação de votos.

Materialmente o mundo dos coronéis era povoado pela escassez de tudo e pela pobreza quase que absoluta, quando não miséria dos moradores, "o que explica a enorme dependência que todos tinham dele".

Ele era um "pode-tudo" a quem era preciso recorrer nas mais diversas situações, sendo portanto compreensível que o coronel exigisse daqueles que se qualificavam como votantes, o compromisso da fidelidade. Na ausência quase que absoluta do Estado, era o coronel quem exercia as mais variadas funções, sendo simultaneamente o detentor do poder político, jurídico e legislativo do município que lhe cabia, fazendo com que sua autoridade cobrisse todos os espaços daquela geografia da solidão.

O voto de cabresto foi decorrência disso. O eleitor trocava o seu voto por um favor. Este poderia ser um bem material (sapatos, roupas, chapéus, etc.) ou algum tipo de obséquio (atendimento médico, remédios, verba para enterro, consulta médica, matrícula em escola, bolsa de estudos, etc.). Esta placidez obediente dos que tinham direito a votar fazia com que eles fosse integrantes do "curral eleitoral". Ao comportarem-se nas eleições tais como bois mansos era inevitável que os considerassem como gente de segunda classe, incapaz de reagir ao despotismo do manda-chuva.

Os coronéis, enfim, fizeram o processo eleitoral funcionar a favor deles, em detrimento dos poderes regionais e, em seguida, dos municipais. Para ampliar ainda mais o seu mando tornaram-se comuns práticas ilícitas de "manipulação eleitoral", tais como o "eleitor-peregrino" (o sujeito que votava diversas vezes) ou o "eleitor-fantasma" (não davam baixa dos mortos das listas eleitorais, permitindo que alguém votasse em nome deles, fazendo deles “defuntos cívicos” que levantavam da tumba para irem até as juntas eleitorais), e mais toda uma série de trapaças outras que pertencem.

Como não poderia deixar de ser a literatura brasileira foi pródiga neste século em abrigar as façanhas e malvadezas dos coronéis. O mundo rural, violento e rústico, onde eles se moviam, mereceu copiosas descrições, e os “causos” em que eles foram participantes ativos viraram contos ou histórias dos romancistas e dos roteiristas das telenovelas brasileiras, quando não os próprios coronéis ao riquíssimo folclore político brasileiro.

Nas ultimas décadas do século, a população rural correu para as cidades, atraída inicialmente pelo processo de industrialização e deixou de usar a enxada como instrumento de trabalho, a relação entre o coronel e o voto de cabresto parece sobreviver sob novas formas diversificadas de “coronelismo” no Brasil urbano.

A relação de reciprocidade ganha novos contornos e amplia a sua esfera para outras arenas: a vaga na escola só é concedida pelo vereador – (a rede de água e esgoto ou a instalação elétrica compete ao deputado estadual); e os investimentos em transporte ou pólos de desenvolvimento ficam com os deputados federais e os senadores.

As políticas públicas acabam sempre privatizadas pelas verbas distribuídas diretamente aos parlamentares, pela contratação de "cabos eleitorais" para assumir funções nobres em órgãos públicos ou pelos “currais comunitários” desenvolvidos pelos “coronéis modernos”.

E o que dizer do "coronelismo eletrônico?" O advento das mídias eletrônicas de massa e sua universalização, num país onde os "baixíssimos níveis de EDUCAÇÃO da população" as transformam num meio hegemônico de informação e, mais grave que isso, num meio hegemônico de formação e de indução de modas e costumes, ensejam o surgimento de uma versão eletrônica do fenômeno do coronelismo, infinitamente mais abrangente e perigoso que a versão anterior.

Quem, não por acaso, deu o impulso definitivo a esse surgimento foi um dos mais legítimos representantes dessa versão brasileira do "caudilhismo", o ex-senador "Antonio Carlos Magalhães" que, quando ministro das Comunicações do governo "José Sarney", distribuiu canais de radio e televisão a todos os grupos políticos regionais dominantes, especialmente no Norte e Nordeste do País, e articulou a filiação de muitos desses canais à mais poderosa das redes privadas de televisão, à qual ele estava, na época, umbilicalmente ligado.
>>> "Assim nasceu a relação de crescente promiscuidade entre o poder político e o poder da mídia que desvirtua a democracia brasileira".

Veja um retrato desse quadro:

Os políticos controlam ¼ das emissoras comerciais de televisão do Brasil: (60 de um total de 250). Esse número se refere apenas aos veículos que detêm concessão governamental para reger programação.

A Rede Globo tem 21 filiais pertencente a políticos, o SBT tem 17, a Bandeirantes 9. entre os políticos que vivem de retransmitir e vender programação da Globo em seus estados estão os ex-presidentes "Jose Sarney" e "Fernando Collor de Mello", os ex-governadores "Roseana Sarney" (MA), "Garibaldi Alves Filho" (RN) e "Albano Franco" (SE).

ACORDA BRASIL !!!!

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Banda Devassa - Rio de Janeiro. (Cultura, Esporte e Lazer).


“CURRAL ELEITORAL" EXITE... ACORDA BRASIL !!!!
(O curral politicamente correto também).

Chegaram reclamações de leitores do Nordeste sobre o fato de termos usado a expressão “curral eleitoral”.

O Antagonista se recusa a trancafiar a língua no curral politicamente correto.

“Curral eleitoral” é uma expressão surgida na República Velha, assim como “voto de cabresto”.

Infelizmente, os currais eleitorais existem - (e não são uma prerrogativa do Nordeste).

Em outubro de 2014, o desembargador "Aloísio de Toledo César" publicou no Estadão um artigo esclarecedor a respeito do assunto.

Tomei a liberdade de reproduzir um trecho:

(Quando foi proclamada a República, a Constituição federal brasileira tardou em prever a figura do "voto secreto" e, com isso, as primeiras eleições no País se realizaram por um sistema que permitia identificar a pessoa em quem o eleitor votava.

Realmente, naqueles tempos nada saudosos, o eleitor levava consigo um pedaço de papel com o nome de seu candidato e o depositava na urna, permitindo que os "coronéis da época" entregassem a cada um de seus empregados uma "cédula já preenchida".

E lá seguia o "eleitor de cabresto" para cumprir o dever de votar naquele político de quem "era dependente".

Graças a esse sistema "nada democrático", ganharam força as expressões “voto de cabresto” e “curral eleitoral”, porque, sobretudo no Nordeste, os políticos mais poderosos adotavam essa conduta para garantir os seus votos. Sim, a grande maioria dos eleitores, por dependerem economicamente desses “coronéis”, recebia pelo voto um pagamento de diversas formas – (comida, roupas, casa para morar e até mesmo dinheiro).

Curiosamente, esse costume se arraigou de tal forma em nosso sistema de escolha dos governantes que hoje (2018) temos talvez o "maior curral eleitoral de todos os tempos". Há uma diferença: na sua fase inicial, os eleitores “de cabresto” recebiam o pagamento do próprio político ao qual estavam submetidos, mas hoje, no enorme curral eleitoral do presente, "quem paga a esses eleitores somos nós".

Nisso talvez resida a conhecida esperteza do ex-presidente "Luiz Inácio Lula da Silva" – (como sempre, uma esperteza para o mal). Tendo Lula percebido que é bom em cada eleição poder contar com um "curral eleitoral obediente e confiável", ele carreou esforços (e o nosso dinheiro) para pagar a esses eleitores na forma disfarçada de Bolsa Família e outras benesses governamentais”. ACORDA BRASIL !!!!

Ângela Maria e convidados (Completo)

Banda Devassa - Rio de Janeiro. (Cultura, Esporte e Lazer).


29 de Setembro de 2018.
Morte de angela Maria. (1929-2018).

"Angela Maria", nome artístico de "Abelim Maria da Cunha" (Conceição de Macabu, Estado do Rio de Janeiro, 13 de maio de 1929–São Paulo, 29 de setembro de 2018), foi uma cantora e atriz brasileira, expoente da "Era do Rádio" e considerada dona de uma das melhores vozes da MPB.

Intérprete de canções como "Babalu" (Margarita Lecuona), "Gente Humilde" (Garoto/Chico Buarque/Vinicius de Moraes), "Cinderela" (Adelino Moreira) e "Orgulho" (Waldir Rocha/Nelson Wederkind), serviu como fonte de inspiração para artistas como Elis Regina, Djavan, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Cesária Évora e Gal Costa, além de ter sido, comprovadamente pelo Ibope, por um longo período, a cantora mais popular do Brasil e conquistado a admiração de personalidades como Édith Piaf, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Amália Rodrigues e Louis Armstrong.

BIOGRAFIA.

VIDA PESSOAL:
A cantora nasceu em Conceição de Macabu (Estado do Rio de Janeiro), que na época de seu nascimento era distrito de "Macaé", anos depois foi emancipada, tornando-se oficialmente uma cidade. De família muito humilde, sua mãe era dona-de-casa e seu pai pastor de igreja evangélica. Por conta disso, desde criança cantava no coral de uma Igreja Batista próxima a sua casa e com isso foi aprendendo a amar a música e o universo das melodias.

Durante sua infância e adolescência, devido a dificuldades financeiras, morou nas cidades de Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti, com a família em busca de uma vida melhor em cidades com mais recursos. Durante sua juventude trabalhou em uma fábrica de lâmpadas e foi operária tecelã em uma indústria de tecidos, mas sempre quis ser cantora. Sonhava com a vida nas rádios e com o sucesso, mas seu pai era contra por ser muito religioso, querendo que a filha se convertesse na igreja evangélica e casasse cedo. Ângela não tinha o desejo de viver assim, e foi atrás do seu grande sonho, que era cantar.

"Angela" sempre contou em entrevistas ter sofrido na vida pessoal. Nunca pode ter filhos, por problemas uterinos que ela descobriu ter ainda na adolescência. Foi constantemente alvo da mídia, que sempre tocava no assunto ou inventava boatos a deixando magoada, pois ela sempre quis ser mãe. Apesar de ter feito inúmeros tratamentos não conseguiu obter sucesso.

A cantora foi casada com "seis maridos" e teve muitos namorados, e revela que sempre sofreu na mão de todos eles com humilhações e até agressões físicas, contando que isso interferiu na sua carreira. A cantora revela que já tentou o suicídio. Conta que quase perdeu tudo, já que seu patrimônio era administrado por seus assessores, que mesmo ela dando o dinheiro a eles, não pagavam suas contas e a roubavam constantemente.

Em 1967, desesperada com sua vida, fugiu do Rio para São Paulo, e passou a ser cada vez mais roubada, não dava sorte e sempre encontrava empresários golpistas e namorados ladrões, porém deu a volta por cima anos depois, apesar de ter ficado muito tempo vivendo em grande pobreza, ganhando muito pouco, cantando em boates e tendo que complementar a renda fazendo faxina para sobreviver.

Angela Maria revela que seu melhor amigo sempre foi "Cauby Peixoto" e que tem uma grande admiração por Dalva de Oliveira.

Em 1979, com 51 anos e vivendo sozinha, conheceu um homem que mudaria sua vida: Um rapaz de 18 anos que mexeu com seu coração. Ele era noivo de uma moça da faixa etária dele, porém o garoto, chamado "Daniel", gostou de Angela, abandonou a noiva e os dois passaram a ter um envolvimento amoroso intenso. Daniel a ajudou quando sofreu um novo golpe, lhe arranjando trabalhos. Eles foram morar juntos com poucos meses de namoro, até que em 13 de maio de 2012, no dia do seu aniversário de 83 anos (e ele com 51) casaram-se oficialmente, no "civil e na igreja". Ela foi pedida em casamento dias antes, e aceitou. Embora tenha sido pedida outras vezes, nunca quis se casar oficialmente, até aquele momento.
A celebração do casamento foi realizada com uma grande festa para os familiares e amigos.

Angela dizia que ele foi o único homem que lhe fez verdadeiramente feliz. A cantora era casada com "Daniel D'Angelo" desde 1979 e juntos adotaram quatro filhos: Ângela Cristina, Lis Ângela, Rosângela e Alexandre.

CARREIRA:
Em 1947, aos 19 anos, trabalhava de dia, e a noite, tentava de todos os meios conseguir vaga em algum programa de música, indo de rádio em rádio fazer inscrições para sorteios, até que conseguiu ser premiada e se apresentou aos jurados em uma rádio, e passou no teste. Com isso, começou a apresentar-se como cantora no "Pescando Estrelas", um programa de calouros. Adotou o nome de "Angela Maria" para não ser identificada pela família, que se soubesse, não a deixaria nem mais sair de casa.

Sua interpretação era considerada belíssima, sempre tirava nota máxima e ganhava todos os concursos. Todos a queriam para cantora e assim, foi cantar no famoso "Dancing Avenida" e depois na "rádio Mayrink Veiga".

Em 1951, com a família já sabendo de tudo e mesmo a contragosto, após muitas brigas, acabaram aceitando a vontade da filha, Angela gravou o primeiro disco. Veio assim os sucessos que a consagraram.

Com grande sucesso no Brasil, passou a viajar o mundo com canções belíssimas em sua voz considerada muito harmônica. Além de cantora, fez cursos de teatro, e atuou em cinema, no longa-metragem "Portugal, Minha Saudade" em 1973.

Angela Maria consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero "samba-canção" (surgido na década de 1930), ao lado de "Maysa", "Nora Ney" e "Dolores Duran".

Gravou dezenas de sucessos como Não Tenho Você, Babalu, Cinderela, Moça Bonita, Vá, mas Volte, Garota Solitária, Falhaste coração, Canto paraguaio, A noite e a despedida, Gente humilde, Lábios de mel, etc.

Em 1994 foi Homenageada pela Escola de Samba Paulistana "Rosas de Ouro", que com o Enredo "Sapoti", foi consagrada Campeã do Carnaval de São Paulo nesse ano.

Em 1996, foi contratada pela gravadora Sony Music e lançou o "CD Amigos", com a participação de vários artistas como Roberto Carlos, Gal Costa, Caetano Veloso, Alcione, Fafá de Belém entre outros. O trabalho foi um sucesso, celebrado num espetáculo no Metropolitan, atual Claro Hall (Rio de Janeiro), e um especial na Rede Globo. O disco vendeu mais de 500 mil cópias.

Foi uma fase muito feliz da carreira da cantora que, no ano seguinte, apresentou o álbum "Pela Saudade que Me Invade", com sucessos de Dalva de Oliveira, e um ano depois gravou, com Agnaldo Timóteo, o "CD Só Sucessos", também na lista dos cem álbuns nacionais mais vendidos. Após a saída da Sony, Angela voltou a gravar em 2003, desta vez pela Lua Discos, o Disco de Ouro, com um viés eclético, abrangendo compositores que vão de Djavan a Dolores Duran.

No ano de 1994 o cantor Ney Matogrosso gravou um disco, "Estava escrito", em homenagem a Angela Maria. O álbum contém canções do repertório da cantora e que ficaram consagradas em sua voz.

Em 2011, após 45 anos do surgimento da série Depoimentos para a Posteridade do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, foi convidada em 23 de agosto para deixar registrada sua história. Na entrevista contou passagens importantes de sua carreira artística, afirmando ter gravado 114 discos e vendido cerca de 60 milhões de exemplares.

Nas eleições municipais de 2012, candidatou-se a vereadora da cidade de São Paulo pelo PTB, porém não se elegeu.

Em 2015, é lançada a sua biografia escrita pelo jornalista Rodrigo Faour, que contou com depoimentos preciosos da cantora.

MORTE:
A cantora "Angela Maria", uma das maiores vozes do Brasil, morreu no final da noite deste sábado (29) em São Paulo. Ela tinha 90 anos e estava internada há cerca de um mês, no Hospital Sancta Maggiore, segundo informou seu marido, o empresário "Daniel D’Angelo". (Banda devassa - Rio).

Elis Regina X Angela Maria- Tango para Tereza...(depoimento de Elis)

Banda Devassa - Rio de Janeiro. (Cultura, Esporte e Lazer).


29 de Setembro de 2018.
Morte de angela Maria. (1929-2018).

"Angela Maria", nome artístico de "Abelim Maria da Cunha" (Conceição de Macabu, Estado do Rio de Janeiro, 13 de maio de 1929–São Paulo, 29 de setembro de 2018), foi uma cantora e atriz brasileira, expoente da "Era do Rádio" e considerada dona de uma das melhores vozes da MPB.

Intérprete de canções como "Babalu" (Margarita Lecuona), "Gente Humilde" (Garoto/Chico Buarque/Vinicius de Moraes), "Cinderela" (Adelino Moreira) e "Orgulho" (Waldir Rocha/Nelson Wederkind), serviu como fonte de inspiração para artistas como Elis Regina, Djavan, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Cesária Évora e Gal Costa, além de ter sido, comprovadamente pelo Ibope, por um longo período, a cantora mais popular do Brasil e conquistado a admiração de personalidades como Édith Piaf, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Amália Rodrigues e Louis Armstrong.

BIOGRAFIA.

VIDA PESSOAL:
A cantora nasceu em Conceição de Macabu (Estado do Rio de Janeiro), que na época de seu nascimento era distrito de "Macaé", anos depois foi emancipada, tornando-se oficialmente uma cidade. De família muito humilde, sua mãe era dona-de-casa e seu pai pastor de igreja evangélica. Por conta disso, desde criança cantava no coral de uma Igreja Batista próxima a sua casa e com isso foi aprendendo a amar a música e o universo das melodias.

Durante sua infância e adolescência, devido a dificuldades financeiras, morou nas cidades de Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti, com a família em busca de uma vida melhor em cidades com mais recursos. Durante sua juventude trabalhou em uma fábrica de lâmpadas e foi operária tecelã em uma indústria de tecidos, mas sempre quis ser cantora. Sonhava com a vida nas rádios e com o sucesso, mas seu pai era contra por ser muito religioso, querendo que a filha se convertesse na igreja evangélica e casasse cedo. Ângela não tinha o desejo de viver assim, e foi atrás do seu grande sonho, que era cantar.

"Angela" sempre contou em entrevistas ter sofrido na vida pessoal. Nunca pode ter filhos, por problemas uterinos que ela descobriu ter ainda na adolescência. Foi constantemente alvo da mídia, que sempre tocava no assunto ou inventava boatos a deixando magoada, pois ela sempre quis ser mãe. Apesar de ter feito inúmeros tratamentos não conseguiu obter sucesso.

A cantora foi casada com "seis maridos" e teve muitos namorados, e revela que sempre sofreu na mão de todos eles com humilhações e até agressões físicas, contando que isso interferiu na sua carreira. A cantora revela que já tentou o suicídio. Conta que quase perdeu tudo, já que seu patrimônio era administrado por seus assessores, que mesmo ela dando o dinheiro a eles, não pagavam suas contas e a roubavam constantemente.

Em 1967, desesperada com sua vida, fugiu do Rio para São Paulo, e passou a ser cada vez mais roubada, não dava sorte e sempre encontrava empresários golpistas e namorados ladrões, porém deu a volta por cima anos depois, apesar de ter ficado muito tempo vivendo em grande pobreza, ganhando muito pouco, cantando em boates e tendo que complementar a renda fazendo faxina para sobreviver.

Angela Maria revela que seu melhor amigo sempre foi "Cauby Peixoto" e que tem uma grande admiração por Dalva de Oliveira.

Em 1979, com 51 anos e vivendo sozinha, conheceu um homem que mudaria sua vida: Um rapaz de 18 anos que mexeu com seu coração. Ele era noivo de uma moça da faixa etária dele, porém o garoto, chamado "Daniel", gostou de Angela, abandonou a noiva e os dois passaram a ter um envolvimento amoroso intenso. Daniel a ajudou quando sofreu um novo golpe, lhe arranjando trabalhos. Eles foram morar juntos com poucos meses de namoro, até que em 13 de maio de 2012, no dia do seu aniversário de 83 anos (e ele com 51) casaram-se oficialmente, no "civil e na igreja". Ela foi pedida em casamento dias antes, e aceitou. Embora tenha sido pedida outras vezes, nunca quis se casar oficialmente, até aquele momento.
A celebração do casamento foi realizada com uma grande festa para os familiares e amigos.

Angela dizia que ele foi o único homem que lhe fez verdadeiramente feliz. A cantora era casada com "Daniel D'Angelo" desde 1979 e juntos adotaram quatro filhos: Ângela Cristina, Lis Ângela, Rosângela e Alexandre.

CARREIRA:
Em 1947, aos 19 anos, trabalhava de dia, e a noite, tentava de todos os meios conseguir vaga em algum programa de música, indo de rádio em rádio fazer inscrições para sorteios, até que conseguiu ser premiada e se apresentou aos jurados em uma rádio, e passou no teste. Com isso, começou a apresentar-se como cantora no "Pescando Estrelas", um programa de calouros. Adotou o nome de "Angela Maria" para não ser identificada pela família, que se soubesse, não a deixaria nem mais sair de casa.

Sua interpretação era considerada belíssima, sempre tirava nota máxima e ganhava todos os concursos. Todos a queriam para cantora e assim, foi cantar no famoso "Dancing Avenida" e depois na "rádio Mayrink Veiga".

Em 1951, com a família já sabendo de tudo e mesmo a contragosto, após muitas brigas, acabaram aceitando a vontade da filha, Angela gravou o primeiro disco. Veio assim os sucessos que a consagraram.

Com grande sucesso no Brasil, passou a viajar o mundo com canções belíssimas em sua voz considerada muito harmônica. Além de cantora, fez cursos de teatro, e atuou em cinema, no longa-metragem "Portugal, Minha Saudade" em 1973.

Angela Maria consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero "samba-canção" (surgido na década de 1930), ao lado de "Maysa", "Nora Ney" e "Dolores Duran".

Gravou dezenas de sucessos como Não Tenho Você, Babalu, Cinderela, Moça Bonita, Vá, mas Volte, Garota Solitária, Falhaste coração, Canto paraguaio, A noite e a despedida, Gente humilde, Lábios de mel, etc.

Em 1994 foi Homenageada pela Escola de Samba Paulistana "Rosas de Ouro", que com o Enredo "Sapoti", foi consagrada Campeã do Carnaval de São Paulo nesse ano.

Em 1996, foi contratada pela gravadora Sony Music e lançou o "CD Amigos", com a participação de vários artistas como Roberto Carlos, Gal Costa, Caetano Veloso, Alcione, Fafá de Belém entre outros. O trabalho foi um sucesso, celebrado num espetáculo no Metropolitan, atual Claro Hall (Rio de Janeiro), e um especial na Rede Globo. O disco vendeu mais de 500 mil cópias.

Foi uma fase muito feliz da carreira da cantora que, no ano seguinte, apresentou o álbum "Pela Saudade que Me Invade", com sucessos de Dalva de Oliveira, e um ano depois gravou, com Agnaldo Timóteo, o "CD Só Sucessos", também na lista dos cem álbuns nacionais mais vendidos. Após a saída da Sony, Angela voltou a gravar em 2003, desta vez pela Lua Discos, o Disco de Ouro, com um viés eclético, abrangendo compositores que vão de Djavan a Dolores Duran.

No ano de 1994 o cantor Ney Matogrosso gravou um disco, "Estava escrito", em homenagem a Angela Maria. O álbum contém canções do repertório da cantora e que ficaram consagradas em sua voz.

Em 2011, após 45 anos do surgimento da série Depoimentos para a Posteridade do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, foi convidada em 23 de agosto para deixar registrada sua história. Na entrevista contou passagens importantes de sua carreira artística, afirmando ter gravado 114 discos e vendido cerca de 60 milhões de exemplares.

Nas eleições municipais de 2012, candidatou-se a vereadora da cidade de São Paulo pelo PTB, porém não se elegeu.

Em 2015, é lançada a sua biografia escrita pelo jornalista Rodrigo Faour, que contou com depoimentos preciosos da cantora.

MORTE:
A cantora "Angela Maria", uma das maiores vozes do Brasil, morreu no final da noite deste sábado (29) em São Paulo. Ela tinha 90 anos e estava internada há cerca de um mês, no Hospital Sancta Maggiore, segundo informou seu marido, o empresário "Daniel D’Angelo". (Banda devassa - Rio).