A IMPORTÂNCIA DO SILÊNCIO...
Quando silenciamos podemos ouvir melhor.
Quando silenciamos podemos sentir melhor.
Quando silenciamos nos permitimos banhar por todos os sons e por todas as formas.
Mais difícil do que o silêncio da boca, das palavras, dos sons emitidos é o silêncio interno... "o silêncio da mente".
Apenas quando a mente silencia podemos entrar em contato com a essência do Ser.
Mas temos por hábito falar e comentar, nos entreter com sons e imagens, fugindo do encontro profundo com a realidade.
Criamos realidades falsas sobre a realidade verdadeira.
Queremos acreditar em nossas fantasias e nos incomoda o silencio que permite penetrar no real e cancelar o falso. São armadilhas da mente humana.
Buda dizia que "a mente humana deve ser mais temida que cobras venenosas e assaltantes vingadores". Por isso é necessário conhecê-la. Conhecer a própria mente. Para isso há o caminho do silêncio. O caminho de aquietar as oscilações mentais.
Estamos muito acostumadas ao entretenimento. Mantendo a televisão, radio, computador, facebook celulares, ligados o tempo todo.
A mente está ligada o tempo todo, sim, mas entre pensamentos há espaços vazios e não estamos acostumadas a observar esse vazio.
Ao entrar em uma sala, observamos os móveis, as pessoas, janelas, cortinas. "Raramente percebemos os espaços vazios", os espaços entre as pessoas, entre os móveis. Os espaços entre as falas, os espaços entre os pensamentos.
As pausas na música fazem a música melhor. Há pausas em nossas conversas. Podemos dar importância a essas pausas, a esses espaços vazios, ao silêncio. Sem ele não há musica, não há pensamentos, não há nem mesmo o nada.
O silêncio e o som são como uma caixa e sua tampa. O excesso de informações, de estímulos, nos faz esquecer da pausa, da doçura do silenciar, do aquietar.
Desaprendemos a estar com alguém em silêncio. Sentir a presença de alguém sem precisar conversar, falar, comentar.
A realidade... Apenas estar presente.
Presença absoluta, sem nada extra, sem nada faltando.
Essa a experiência do silêncio que mais me fascina.
Mais do que muitas palavras, a força da quietude interna não precisa alardear sua sabedoria ou compreensão.
Podemos estar em grande intimidade, sem nada dizer.
Talvez as experiências mais profundas sejam silenciosas - (quer de alegria, quer de tristeza).
No Baixo-Penha, na cidade do Rio de Janeiro há muitos pássaros e seus trinados nos alegram. Mas, ao final do dia, eles se recolhem e surgem os sons da noite.
Temos de aprender a nos recolher em nós mesmos e reaprender a ouvir o grande silêncio.
Sem apego e sem aversões, ouvir o silêncio e apreciar a vida...
(Banda Devassa - Rio de Janeiro, 07 de Agosto de 2018).
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