domingo, 2 de setembro de 2018

Banda Devassa - "Bondinho da Igreja da Penha".

Banda Devassa - Rio de Janeiro. (Cultura, Esporte e Lazer).


NÓS, ESCRAVOCRATAS...

Há exatos cento e dezoito anos (1910), saía da vida para a história um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o pernambucano "Joaquim Nabuco". Político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa, principal artífice da abolição do regime escravocrata no Brasil.

Apesar da vitória conquistada, Joaquim Nabuco reconhecia:
>>> “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão”.

Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da "exclusão social":
>>> "pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à EDUCAÇÃO de qualidade".

Ainda que não aceitemos vender, aprisionar e condenar seres humanos ao trabalho forçado pela escravidão – (mesmo quando o trabalho escravo permanece em diversas partes do território brasileiro) -, por falta de qualificação, condenamos milhões ao desemprego ou trabalho humilhante.

Em 1888, libertamos 800 mil escravos, "jogando-os na miséria".

Hoje, em 2018, negamos alfabetização a 14 milhões de adultos, negamos Ensino Médio a 2/3 dos jovens.
>>> "De 1888 até nossos dias, dezenas de milhões morreram adultos sem saber ler"... ACORDA BRASIL !!!!

"Cento e dezoito anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas".

"Somos escravocratas" ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto "eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala".

"Somos escravocratas" porque:
>>> "até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais".

"Somos escravocratas" porque:
>>> "todos NÓS, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. (Como antes), os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos" !!!!

"Somos escravocratas" ao jogarmos:
>>> "sobre os analfabetos", a culpa por não saberem ler, (em vez de assumirmos nossa própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas). Privilegiamos investimentos econômicos no lugar da EDUCAÇÃO, com "escolas" e "professores".

"Somos escravocratas", porque:
>>> "construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade".

"Somos escravocratas" de um novo tipo:
>>> "a negação da EDUCAÇÃO é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão..."

"A exclusão da EDUCAÇÃO substituiu o sequestro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado".

"Somos escravocratas" que não pagamos para ter escravos: >>> "nossa escravidão ficou mais barata e o dinheiro para comprar os escravos pode ser usado em benefício dos novos escravocratas".

>>> "Como na escravidão, o trabalho braçal fica reservado para os novos escravos: os SEM EDUCAÇÃO" !!!!

NEGAMO-NOS A ELIMINAR A OBRA DA ESCRAVIDÃO.

"Somos escravocratas" porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão:
>>> "e nossos intelectuais e economistas comemoram minúscula distribuição de renda, como antes os senhores se vangloriavam da melhoria na alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar".

"CONTINUAMOS ESCRAVOCRATAS":
>>> "comemorando gestos parciais... (Antes)... com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. (Agora)... com o bolsa família, o voto do ANALFABETO ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da... ABOLIÇÃO PLENA" !!!!

"Somos escravocratas" porque:
>>> "como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a (REVOLUÇÃO EDUCACIONAL) que poderia completar a... (quase-abolição) de 1888".

>>> "Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto para uma SOCIEDADE CIVILIZADA, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço".

Cento e dezoito anos depois da morte de "Joaquim Nabuco", a obra criada pela escravidão continua, porque...
"continuamos escravocratas".

E ao "continuarmos escravocratas", não libertamos os escravos condenados à falta de "EDUCAÇÃO" !!!!

(Banda Devassa - Rio de Janeiro, 02 de setembro de 2018).

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