sábado, 22 de setembro de 2018

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Banda Devassa - Rio de janeiro. (Cultura, Esporte e Lazer).


HARMONIZAÇÃO... "VINHO E MÚSICA".

A música, como o vinho, remonta a mais longínqua antiguidade. Quatro milênios, antes da nossa Era, os chineses e os egípcios, possuíam grande número de instrumentos musicais, cultivavam o canto e dança e amavam a música.

Desde então, a música já era definida como uma das belas artes concernente à combinação de sons para expressar por meio da beleza, o pensamento e o sentir.

Não importa sob quais circunstâncias se analise, o vinho e a música, desde sempre, se colocaram, ao longo da história, como ponto de união do homem com o sagrado, na sua acepção mais plena. Data, talvez, de tal contextualização histórica, a busca do entendimento de tão íntima relação.

O vinho tem poesia como a música, porque há nele a expressão de um autor, que exprime prazeres, emoções e um talento criador muito além da técnica adquirida. Em razão disso, harmoniza magnificamente com obras e peças musicais, sejam elas populares, camerísticas ou sinfônicas.

"Johann Strauss II" (1825-1899), famoso pela vida boêmia e pelas valsas (Vozes da Primavera, Sangue vienense, Contos dos bosques de Viena, Danúbio Azul, Valsa do Imperador), tem na obra "Vinho, mulheres e música" uma clara percepção de que a compatibilização entre "vinho e música" pode ser perfeita.

De fato, a música dos Strauss sempre foi, por definição, uma música popular, mesmo quando dançada nos salões do imperador: ritmos contagiantes, memoráveis melodias, alegria inebriante. Nas suas valsas, não há muito o que pensar, o que refletir. O que interessa é a dança, o momento, sentir a vertigem dos rodopios e a alegria de viver à vienense.

O sublime encanto que uma valsa de Strauss provoca se assemelha em muito ao prazer absoluto que o vinho conduz. Pode-se dizer que Johann Strauss II, além de seus dotes extraordinários de músico, foi símbolo de uma época que glorificava, com suas músicas, uma alegria de viver jamais superada.

"Debussy", á semelhança de Strauss, em seu “Prélude a l’après-midi d’un faune”, no qual apresenta um universo de sentimentos indescritíveis, mostra o quanto a harmonização entre o vinho e a música pode ser perfeita.

Os prelúdios, via de regra são mais curtos que as aberturas, mais sérios e conduzem o ouvinte diretamente ao âmago do enredo. Assim, Debussy, no prelúdio "A Porta do Vinho", conduz o ouvinte à Paris da sua época, para assistir ao espetáculo dos bailarinos flamencos que o influenciaram tão fortemente. Sua música, romântica e lírica, se caracteriza pelas doces e originais melodias, a refinada harmonia e a beleza poética.

A intimidade entre o vinho e a música, também está muito bem expressa em "Carmina Burana", composta pelo compositor alemão "Carl Orff" e levada ao palco em 08 de junho de 1937, em Frankfurt. “Carmina Burana”, é uma cantata profana para solistas, coro e orquestra, baseada em textos procedentes de uma coleção de cantos em latim antigo e alemão medieval.

O autor se baseou na edição de "Carmina Burana" (que significa Canções de Beuren) de "Schmeller", editada em 1847 e constituída de 250 poemas. Escritos a mão por anônimos poetas goliardos, também chamados "escolásticos errantes" (na sua maioria, monges fugidos de conventos), que fascinados pela vida livre, libertina e incerta, esqueciam sua missão e não voltavam jamais ao seu lugar de origem, nem tampouco a sua meta primitiva.

Para ganhar o pão de cada dia e o vinho de cada noite, compunham poemas satíricos, canções moralizadoras, de amor e ou de exaltação ao vinho. As sátiras denunciavam sem piedade alguma, a hierarquia eclesiástica e a corrupção dos poderosos, além de ásperas críticas à sociedade, envoltas na exaltação de uma moral natural e contrárias aos ensinamentos da igreja e aos costumes tradicionais.

Após selecionar 25 daqueles textos e compor uma "cantata oratório", Carmina Burana, na verdade apresenta uma concepção pagã da vida, sob uma música clara até a ostentação, rítmica elemental, elementos arcaicos e efeitos obtidos por uma percussão monumental. A cantata está marcada por um símbolo da antiguidade – (a Roda da Fortuna) – que gira eternamente, trazendo alternadamente má ou boa sorte.

Uma parábola da vida humana, em constante girar. O clamor do coro à Deusa da Fortuna introduz e conclui a obra, que se divide em três seções – o encontro do homem com a natureza, particularmente com a natureza desperta na primavera, o encontro com o vinho (En Bache bene venies e In Taberna) e o encontro com amor.

O vinho e a música, ambos frutos da intervenção do homem sobre a natureza, criados para desfrutar a companhia e a amizade, são a real expressão da voluptuosidade da imaginação. São, na verdade, os elementos de harmonia entre o céu e a terra. (Banda Devassa).

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