domingo, 9 de setembro de 2018

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Banda Devassa - Rio de Janeiro. (Cultura, Esporte e Lazer).

QUAL A DIFERENÇA ENTRE POESIA E POEMA?

A diferença entre "poema e poesia" é que um pertence à literatura, enquanto a outra, não necessariamente. O poema é um tipo textual que possui uma estrutura definida com versos e estrofes, enquanto a poesia é qualquer tipo de produção artística que envolva a criatividade e provoque emoção, podendo estar em paisagens, objetos, pinturas e fotografias, frases, músicas, sons, atuações e textos diversos.

POESIA - EXPRESSÃO DE SENTIMENTOS.

É através da poesia que os mais diversos sentimentos podem ser expressos e percebidos de diferentes maneiras, provocando surpresa, admiração e contemplação. Podemos dizer que todos os textos que provocam emoções e sentimentos são poéticos, inclusive os poemas.

A poesia pode ser expressa através de textos em que não é obrigatória uma estrutura específica, como no poema. Assim como um texto enorme pode ser considerado poesia, apenas uma pequena frase também pode ser, a depender de seu conteúdo.

EXEMPLOS DE POESIA ESCRITAS.

“Não tenho medo de viver. Não seguro o riso, as rédeas, a voz. Dou vazão ao que sinto. Absorvo e aproveito o que é bom, aprendo com o que é ruim e então deixo passar. Minha bagagem agora é leve, só cabe em mim o que é melhor pra mim: o que me faz crescer, sonhar, florescer, ser feliz".
(Lívia Barros).

“Ser mãe não é anular sua vida por um filho – (é justamente o contrário). É ter duas vidas, é sonhar por dois, é crescer e dar, todos os dias, o primeiro passo frente a tarefa interminável.
É renunciar ao egoísmo e pensar primeiro em outra pessoa... antes de tudo. É ter o coração mais apertado – (de felicidade).
É sentir o peso do mundo nas costas ao mesmo tempo que sente a leveza ao olhar para um rostinho que traz paz, amor e uma razão a mais para se viver". (Lívia Barros).

POESIA DE AMOR.

“⁠⁠⁠Te vejo todo dia em centenas de retratos. Teus traços, feições, gestos, canções. Cada detalhe particular é perfeito, absoluto, dotado de pura energia e boas vibrações.

São essas marcas que me deixam louca de desejo, amor, paixão. Vontade de me entregar por inteiro, de dizer eu te amo a cada vez que te vejo e sinto teu cheiro. Tu tem essa coisa que atrai, que só eu percebo, que vem pra mim numa onda reta, contínua, certeira, sem nenhum vacilo.

É essa força no olhar, o jeito de sorrir, o nariz arrebitado, o cabelo (solto ou amarrado – tanto faz pra mim). É o beijo viciante, carinhoso, fogoso, marcante. É aquela intensidade em pegar, apertar, morder, chupar, beliscar. São os delírios na madrugada que me encantam e me deixam molhada, suada, extasiada, pedindo mais, por favor, não para !!!! É esse cheiro que gruda no meu corpo, na cama, no ar e não sai de jeito nenhum.

Por fim, é a angústia por não te ter todo dia, por nem sempre ganhar um bom dia, um 'estou com saudades' ou um 'como você está?'. É paixão e não tem jeito, se apaixonar é isso mesmo: um eterno delírio entre a aflição e a satisfação de querer alguém permanentemente, independente de seu querer ou não".
(Lívia Barros).

POEMA - RIMAS, VERSOS E ESTROFES.

O "poema", por sua vez, deve seguir uma linha estrutural, com "estrofes e versos". Estrofes são as seções do poema, separados uns dos outros por uma linha em branco. "Cada estrofe é formada por alguns versos, que são as linhas do poema".

Poema também é "poesia", pois desperta sensações, sentimentos, lembranças, emoções, retrata histórias vividas ou histórias que se deseja viver. "Poema é poesia porque requer criatividade, expressividade, harmonia, imaginação".

As "rimas" em um poema não são obrigatórias, mas a maioria deles as têm, pois elas servem para dar mais sonoridade, graça, leveza e impacto ao seu conteúdo, além de fazerem com que o texto fique ainda mais prazeroso de ser ouvido.

EXEMPLOS DE POEMAS FAMOSOS.

AS POMBAS:

“Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada.

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais”.
(Raimundo Correia).

CANÇÃO DO EXÍLIO:

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — (sozinho, à noite) —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá”.
(Gonçalves Dias).

POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE.

A MÁQUINA DO MUNDO:

“E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas".

(Banda Devassa - Rio de Janeiro, 09/09/2018).

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