Banda Devassa - Rio de Janeiro. (Cultura, Esporte e Lazer).
MORTE: COMEÇO OU FIM?
“A meditação do sábio é uma meditação não da morte, mas da vida”. (Spinoza).
INTRODUÇÃO.
Como a humanidade pensa a morte? Por que a tememos?
É concebível falar que a morte é o começo, o fim?
Sob que ponto de vista? Mas o que é a morte?
Como vê-la dentro da ótica espírita?
CONCEITO.
MORTE:
Do lat. "mortem" – é a cessação da vida e manifesta-se pela extinção das atividades vitais: crescimento, assimilação e reprodução no domínio vegetativo; apetites sensoriais no domínio sensitivo.
No âmbito da "Doutrina Espírita", a morte é o desprendimento total do Espírito do corpo físico em consequência da ruptura do laço fluídico, que prende ou liga um ao outro, quando então há o falecimento.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS.
A morte, simplesmente definida como ausência de vida, foi sempre vista como mistério, superstição e fascinação pelo ser humano.
"Sócrates", na antiguidade, ensinava-nos que a filosofia nada mais era do que uma preparação para a morte.
"Platão" dizia:
>>> “Filosofar é aprender a morrer”.
"NAS SOCIEDADES TRIBAIS, O PROBLEMA DA MORTE NÃO EXISTIA PORQUE O INDIVÍDUO TINHA UM PESO DIMINUTO COM RELAÇÃO À COLETIVIDADE".
>>> Dos animais, o homem é o único que sabe que vai morrer.
A grande surpresa dos suicidas é verificar que a morte não acaba com a vida.
O medo da morte é universal:
a) por causa da separação dos entes queridos;
b) devido ao desconhecido.
>>> A provisão de "alimentos" nos túmulos implica a crença na imortalidade da alma.
Embora na moderna sociedade, onde a expectativa de vida tem sido prolongada, a negação da morte é provavelmente sentida mais sutilmente e mais desesperadamente do que em outras épocas.
"Pascal" convida todos os homens condenados à morte, a fugir do divertimento e pensar em sua salvação.
"MORTE: COMEÇO, FIM OU NENHUM DOS DOIS"...
A MORTE COMO COMEÇO:
>>> Para todos os que creem na imortalidade da alma, a morte é um "começo", começo de uma nova vida, a vida espiritual, a verdadeira vida. "Platão", na antiguidade, já nos alertava a respeito da alma. Para ele, na sua "Teoria das Ideias", a alma, depois que fez a sua passagem por este mundo, volta ao seu lugar de origem, denominado Topos Uranos.
A MORTE COMO FIM:
>>> Para os "materialistas e existencialistas", a morte é o fim da vida. É o niilismo de que nos fala a filosofia. Por isso, a aflição e angústia que o ser humano sente em virtude de tudo terminar com a morte. O trabalho árduo de uma vida inteira termina num instante, como num piscar de olhos.
>>> Pode-se entender também como o fim de uma etapa, etapa de encarnado.
A MORTE: NEM COMEÇO, NEM FIM:
>>> Para o "Espiritismo", a morte não é começo nem fim; é a passagem do Espírito, que está na prova da carne, para o Espírito que estará em outra dimensão. É a transição, passagem, mudança de plano.
A doutrina Espírita, codificada por "Allan Kardec", esclarece-nos acerca do problema da morte. Para inicio de conversa, a morte não existe. Deixamos aqui a "veste física"... mas o "Espírito" continua a sua jornada, levando consigo o seu Perispírito, que vai vagar no mundo espiritual, segundo seu peso específico. Mais precisamente, de acordo com o bem ou o mal que tiver feito durante "sua existência terrena".
A morte é o desprendimento do Espírito do corpo físico. Lembremo-nos de que não é o Espírito que deixa o corpo, mas o corpo que, sem energia, sem fluido vital, solta-se do espírito, que é vivo e deixa-o ir para outras paragens.
>>> "É como se fosse uma fruta madura, que cai da árvore".
Há casos, porém, que o encarnado apressa a sua data de validade. Observe o que aconteceu com o "Espírito André Luiz", quando o chamaram de suicida. Foram os desleixos e os desmandos do corpo e do espírito que o levaram a desencarnar antes de sua hora. Quando vivemos uma vida plena, podemos dizer que somos completistas, ou seja, usufruímos de todo o tempo que nos foi ofertado pela Sabedoria de Deus, para o nosso avanço moral e espiritual.
COMO VEMOS A MORTE.
CHOQUE DE CULTURAS:
>>> Os índios polinésios apreciam a morte: depois dos 40 anos, já começam a se preparar para a morte. Nos Estados Unidos, país tecnologicamente desenvolvido, acontece o contrário:
a morte é interditada. Ninguém a cultua. Basta ver os cuidados que têm para com o defunto, deixando-o o mais embelezado possível. Simplesmente para transparecer que "não morreu". Para isso, as casas de embelezamento de cadáveres (funeral home).
PREPARAÇÃO PARA A MORTE:
>>> Muitas pessoas têm uma preocupação mórbida para com a morte. Ficam pensando neste momento final da vida, querem saber o que vão sentir, se terão dor, sofrimento. Acontece que não temos experiência da morte. Simplesmente não fazemos mais parte dos encarnados, e sim dos desencarnados.
"O Espírito Irmão X", no livro "Cartas e Crônicas", deixa-nos alguns conselhos: comece a renovação de seus costumes pelo "prato de cada dia". Diminua gradativamente a "volúpia" de comer carne dos animais; deixe os testamentos em dia; não se apegue demasiado aos laços consanguíneos; convença-se de que se você "não experimenta simpatia por determinadas pessoas", há muita gente que...
"suporta você com muito esforço".
O EXEMPLO DE SÓCRATES:
>>> "Sócrates", na antiguidade, foi obrigado a beber cicuta. Conta-se que seus amigos poderiam libertá-lo, tirá-lo da prisão. Deu seu exemplo; morre com dignidade. Poderia fugir da prisão, mas preferiu seguir o seu caminho de mártir. O mesmo podemos dizer de Jesus, que preferiu a morte na cruz para nos salvar. Ele também tinha condições de fugir, mas preferiu se render à cruz, para que se cumprisse os desígnios do Alto.
EXPECTATIVAS PARA O ALÉM-TÚMULO.
Os pensadores da humanidade desenvolveram, ao longo do tempo, "três" concepções de mundo: "Materialista", "Idealista" e "Religiosa". De acordo com essas concepções, construíram as diversas doutrinas. Vejamos algumas delas.
MATERIALISMO:
>>> A inteligência do homem é uma propriedade da "matéria"; nasce e morre com o organismo. Daí o "niilismo". Sendo a matéria a única fonte do ser, a morte é considerada o fim de tudo. Como o homem é só matéria, os gozos materiais têm todo o fundamento. Por isso, "Nietzsche" o enfatizou sobremaneira. Nesse sentido, disse:
> “Niilismo: falta do fim; falta a resposta ao ‘por quê?’; o que significa niilismo? — que os valores supremos se desvalorizam”.
PANTEÍSMO:
>>> Para o "Panteísmo", o Espírito, ao encarnar, é extraído do todo universal; individualiza-se em cada ser durante a vida e volta, por efeito da morte, à massa comum. Voltando ao todo universal, sem individualidade e sem consciência de si mesmo, o ser é como se não existisse. As consequências morais desta doutrina assemelham-se as da doutrina materialista.
DOGMATISMO RELIGIOSO:
>>> Para o "Dogmatismo Religioso", a alma, independente da matéria, é criada por ocasião do nascimento do ser; sobrevive e conserva a individualidade após a morte. A sua sorte já está determinada: os que morreram em "pecado" irão para o fogo eterno; os justos, para o céu, gozar as delícias do paraíso.
ESPIRITISMO:
>>>Para o "Espiritismo", o Espírito, independente da matéria, foi criado simples e ignorante. Todos partiram do mesmo ponto, sujeitos à lei do progresso. Aqueles que praticam o bem, evoluem mais rapidamente e fazem parte da legião dos "anjos", dos "arcanjos" e dos "querubins". Os que praticam o mal, recebem novas oportunidades de melhoria, através das inúmeras encarnações !!!!
CONCLUSÃO.
>>> A morte marca o fim de um período, a existência do ser encarnado, que teve oportunidade de redimir de alguns erros e se preparar para o porvir, que o espera além-túmulo.
(Banda Devassa - Rio de Janeiro, 19 de Junho de 2018).
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